Recrutamento inclusivo: 7 ações para colocar em prática

Criar o recrutamento inclusivo significa oferecer as mesmas condições e oportunidades para candidatos/as de diferentes idades, gêneros, cor de pele, origem social e nacionalidade.

Se você está organizando um processo seletivo na empresa, quais são suas preferências? O recrutamento inclusivo é uma maneira de montar uma equipe com base na diversidade, deixando os preconceitos de lado.

Atualmente, em um mundo globalizado e formado por uma sociedade plural, as empresas de sucesso investem no recrutamento inclusivo para ter uma imagem condizente com o meio no qual as organizações estão inseridas.

Neste sentido, uma startup ou empresa tradicional pode adotar o recrutamento inclusivo para se posicionar de maneira mais consciente e democrática no mercado. 

Se as pessoas da comunidade são reconhecidas pelas suas diferenças, por que o quadro de funcionários/as também não deve ser assim?

Empresas realmente conectadas com o mundo que vivemos adotam uma política de inclusão social e a sua organização também pode aderir a este modelo!

Por que é importante realizar o recrutamento inclusivo?

O recrutamento inclusivo é uma forma de oferecer as mesmas oportunidades de conquistar uma posição na empresa para todas as pessoas, valorizando a diferença que existe entre elas.

Sobre esse aspecto, podemos adotar dois ângulos para análise: o recrutamento inclusivo para favorecer a empresa e, em segundo lugar, esse processo de recrutamento e seleção para beneficiar a sociedade e os/as próprios/as candidatos/as. 

Recrutamento inclusivo com foco na empresa

Comecemos com a importância do recrutamento inclusivo para as empresas. Um ambiente de trabalho formado por pessoas com o mesmo perfil, idade, origem social, gênero, cor de pele e cultura tende a ser menos criativo e dinâmico.

Afinal de contas, todos se parecem muito, se identificam uns com os outros, estão bem acomodados em suas ideias e preconceitos e costumam manter um sistema de conduta inalterado durante toda a jornada na organização.

Com a inclusão social, por meio do recrutamento inclusivo, o time passa a ser formado por pessoas com diferentes características, que garantem um ambiente realmente diversificado, onde surgem ideias, questionamentos, análises e sugestões diferentes, pois partem de colaboradores/as com backgrounds distintos. 

Vamos exemplificar: pense em um time da startup formado por jovens de 20 a 25 anos, todos/as vindos/as de colégios particulares e faculdades privadas de alto nível, com intercâmbio, a maioria homem e moradores da zona sul de SP.

Bom, este time me parece bem segmentado, não é mesmo? Caso surja um problema que eles nunca viram antes por causa da experiência de vida que têm, provavelmente eles não seriam capazes de solucioná-lo. 

Outro caso: a mesma startup adota o recrutamento inclusivo e monta um time com dois jovens com o perfil acima, um profissional sênior com mais de 50 anos, uma pessoa com gênero neutro e uma mulher que veio das camadas sociais mais sensíveis e que batalhou muito por essa posição.

Comparando os dois times, qual parece mais preparado para lidar com as questões complexas e os desafios do mercado nos nossos tempos?

Além disso, temos outro ponto importante para as empresas e que pode ser solucionado com o recrutamento inclusivo: a imagem da organização com os stakeholders.

O público presta atenção, mostra empatia e identificação por empresas que tem um quadro de colaboradores/as com uma diversidade real. Entre os cases que podemos relembrar aqui, rapidamente, estão Natura e Magalu, duas empresas que dão show em diversidade. 

Recrutamento inclusivo com foco nas pessoas

Qual o foco do nosso trabalho, independentemente da área em que atuamos, senão lidar com pessoas, oferecer tecnologia para resolver seus problemas, produtos de qualidade que sejam úteis para sua vida e oportunidades para que todos/as sejam felizes no caminho que escolheram?

Quando olhamos por este ângulo, colocamos o fator humano acima de convenções sociais ou preconceitos que perderam sentido há muito tempo e que, para falar a verdade, não deveriam jamais ter existido.

O recrutamento inclusivo é uma maneira prática de corrigir ações adotadas antigamente que segregavam pessoas por causa de religião, orientação sexual, cor da pele, origem social, gênero e até mesmo a maneira de se vestir.

Quantas pessoas já perderam uma boa chance de trabalho por serem homossexuais? Quantas mães solos foram questionadas sobre o que fariam com seus filhos durante o expediente de trabalho? Ou ainda quantas outras pessoas foram removidas do recrutamento por que tinham uma tatuagem?

Dicas para colocar em prática o recrutamento inclusivo

Enfim, ao usarmos a empatia e priorizarmos o fator humano, percebemos que o recrutamento inclusivo é justo e se faz necessário para que a diversidade seja uma prioridade na formação da equipe, sem distinções. Chega de atraso e preconceito! 

1. Crie novos caminhos para fazer o recrutamento 

Para atrair pessoas para um recrutamento inclusivo, o/a profissional de RH deve adotar novos caminhos, como fazer o mapeamento das comunidades que trabalham com a diversidade.

Existem várias na internet, como Programaria, Afrotrampos, Transempregos e Reprograma.

Logo, o/a profissional de RH deve criar um relacionamento com as pessoas que lideram estes grupos e demonstrar a intenção de fazer um recrutamento inclusivo.

Também é importante se aproximar da realidade destes grupos e conhecer suas dificuldades mais de perto.

2. Ajuste a comunicação para se aproximar de todos os públicos

Para fazer o recrutamento inclusivo, é essencial saber se comunicar de forma apropriada com todas as pessoas, mostrando respeito pelas suas orientações, características, diferenças e escolhas.

Adotar uma linguagem mais apropriada em todas as suas peças de comunicação é essencial, desde posts no blog até publicações corriqueiras nas redes sociais.

Atualmente, o uso de linguagem para gênero neutro é uma maneira assertiva de criar uma conexão maior com todos os públicos.

Por exemplo: ao invés de usar “o candidato” (masculino) para representar todo o conjunto, usar candidate ou o/a candidato/a como nós fazemos aqui na Gama. 😉

3. Divulgue vagas exclusivas para as minorias

Quando for publicar uma vaga com foco em recrutamento inclusivo, crie uma campanha especial para atrair profissionais PcD, LGBTQIA+, Pessoas Pretas e Mulheres.

Vá direto ao ponto, deixe claro que o processo seletivo é direcionado para este grupo e qual porcentagem de vagas está reservada para ser preenchida pelas minorias.

As ações de publicidade para divulgação das vagas podem ser impactantes, com o uso de textos e imagens que vão fazer transparecer a posição da empresa e gerar o engajamento dos/as profissionais que você pretende atrair para o recrutamento inclusivo.

4. Tome alguns cuidados que passam despercebidos

Sem querer, seu processo de recrutamento inclusivo pode apresentar algumas falhas por causa de visões inconscientes que seu time de RH inclui sem prestar atenção. 

Como o objetivo é incluir pessoas, e não excluir, evite usar alguns “filtros” que já não são bem-vindos nos processos de recrutamento e seleção, tais como:

  • idade;
  • sexo;
  • faculdade onde estudou;
  • estado civil;
  • entre outros.

Por exemplo: coloque no formulário o termo “nome social” no campo do nome a ser preenchido, que é a forma como as pessoas gostam de ser chamadas em seu dia a dia, de acordo com a identidade que adotam. 

Também prepare seu time para o encontro pessoal com as minorias, pois algumas reações advindas de preconceitos que estão enraizados e que devem ser desconstruídos diariamente podem criar um julgamento desnecessário ou até mesmo um grande incômodo.

Ou seja, involuntariamente, uma pessoa da equipe de RH pode fazer uma expressão facial de espanto quando encontrar uma pessoa fora dos padrões tradicionais da sociedade. Para evitar que isso aconteça, realize um treinamento.

5. Mostre que você tem um espaço profissional adequado para receber as minorias

No próprio recrutamento inclusivo é preciso deixar claro que a empresa está preparada em sua estrutura para a diversidade. Por exemplo: é essencial que haja acessibilidade para a Pessoa com Deficiência.

Também é importante pensar na questão do uso dos sanitários e vestiários para pessoas LGBTQIA+.

Não adianta preparar somente a parte física da empresa, também é importante preparar os/as demais colaboradores/as do time. 

6. Ensine os colaboradores a trabalhar com a diversidade

Sabemos que muitas pessoas cresceram com bastante preconceito e que temos na nossa empresa profissionais que são assim. O time de RH deve trabalhar intensamente para desconstruir o preconceito. Isso pode ser feito por meio de palestras, treinamentos, entre outras abordagens.

Queremos deixar claro aqui que o recrutamento inclusivo será um desperdício completo se, depois de concluído, uma pessoa preta estiver no ambiente de trabalho e ouvir uma piada totalmente sem graça e sem sentido que tenha a ver com a cor da sua pele ou seu cabelo, por exemplo. 

Isso é inaceitável. O mesmo acontece com os outros grupos que compõem as minorias. 

Crie um ambiente profissional propício e aberto para a diversidade. E seja firme com as pessoas que não quiserem se adaptar!

7. Elabore os cargos e plano de carreira com foco na representatividade

É muito importante fazer um recrutamento inclusivo para que pessoas que fazem parte das minorias integrem o quadro de funcionários/as das empresas.

Mas, na prática, elas têm condições de crescer na companhia e alcançar novos cargos ou o time de RH está apenas criando uma “imagem” de empresa plural e preocupada com a diversidade?

A representatividade é a melhor maneira de mostrar que as minorias têm chances reais de prosperarem na organização. Isso significa que os cargos de liderança e gestão também devem ser ocupados por mulheres, pretos/as, LGBTQIA+ e PcD. A inclusão tem que ser para valer! Comece hoje mesmo!

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