Qual é a importância de investir em uma universidade corporativa?

Que as universidades não são mais o único espaço de construção de conhecimentos e habilidades relevantes para o mercado, já sabemos. Muitas novas possibilidades diferentes e inclusivas, como a educação autodidata e os cursos livres, mudaram essa perspectiva.

Porém, já é possível afirmar ainda mais: hoje, o ambiente acadêmico não é mais o único local seguro (ou melhor, confiável) para esse desenvolvimento! A reinvenção do mercado profissional trouxe à tona a metodologia inovadora das universidades corporativas. Vamos entender melhor o que isso significa!

Com as vastas e avassaladoras transformações da economia e a reinvenção de quase todas as profissões ocorrida nos últimos anos, especialmente nas áreas de desenvolvimento e tecnologia, as dinâmicas de trabalho mudam a cada dia. O que foi aprendido na faculdade há 5 anos muito provavelmente já está obsoleto. E mais: as constantes modificações nos ramos de tecnologia fazem com que a necessidade de manter o aprendizado constante seja imperativa.

Com tudo isso, a notícia que temos para dar é muito boa. Embora tudo esteja mudando, e a academia – mesmo que mantenha sua relevância na educação para o mercado – não tenha mais o mesmo papel centralizador que tinha antes, a metodologia da universidade corporativa veio para mudar esse jogo e dar às empresas um dos papéis de protagonista na formação de profissionais.

Trata-se de uma das estratégias mais benéficas para a saúde da empresa: ao mesmo tempo que promove a capacitação contínua dos colaboradores e colaboradoras, serve para aumentar os níveis de satisfação no trabalho e, com isso, ajuda a segurar profissionais talentosos(as) e reduzir os índices de turnover.

Neste artigo, você vai conferir o que é uma universidade corporativa, quais são suas características e objetivos, como construir uma, e mais: vai conhecer um case de sucesso de universidade corporativa criada a partir da parceria da Gama Academy com o Banco Itaú. Vamos lá!

O que é uma universidade corporativa?

A universidade corporativa não diz respeito a um ambiente físico específico como de uma universidade regular. Trata-se de uma metodologia, ou uma ferramenta, que possibilita a sistematização da formação continuada das colaboradoras e colaboradores. 

Assim, é possível definir a universidade corporativa como um sistema amplo de treinamentos, cursos e outros tipos de capacitação oferecidos a funcionários de uma empresa ou indústria.

Entretanto, esses cursos não são oferecidos a esmo: devem fazer parte da cultura organizacional da empresa e representar seus valores, bem como estimular que as(os) profissionais desenvolvam conhecimentos e habilidades necessários para crescimento na empresa e na vida pessoal.

Objetivos da universidade corporativa

  1. Desenvolver as(os) colaboradoras(es)

O principal objetivo da universidade corporativa é justamente desenvolver habilidades, competências e novos conhecimentos nas colaboradoras e nos colaboradores.

O centro de toda a concepção dessa ferramenta deve estar nas(os) profissionais da empresa, o que significa também levar suas aspirações em conta na hora de planejar os treinamentos e cursos. 

  1. Garantir a evolução e a melhoria dos produtos e serviços

Ao desenvolver as(os) funcionárias(os) de forma constante, a universidade corporativa dentro de uma empresa garante que os produtos e serviços desenvolvidos apresentem melhora constante, já que os programas de treinamento e capacitação devem estar diretamente relacionados às funções desempenhadas em cada setor.

Com isso, colaboradoras e colaboradores têm a oportunidade de trabalhar na prática os aprendizados conquistados, e com isso melhorar a qualidade dos serviços e a experiência do cliente.

  1. Promover cultura de aprendizagem na empresa

Com esses objetivos, vale dizer também que a universidade corporativa vem para mudar e “desengessar” as culturas corporativas tradicionais. Um dos objetivos dela é, por isso mesmo, fazer com que a aprendizagem na empresa seja parte central de sua cultura.

Em outras palavras, a universidade corporativa propõe que a empresa respire conhecimento, inovação, criatividade e aprendizado, e que os colaboradores e colaboradoras se sintam estimulados a errar e aprender continuamente.

Além de ser benéfico para a empresa, essa cultura pode ser propagada como um benefício individual para quem trabalha nela – não há como sair perdendo!

A consolidação dessa cultura ajuda a empresa a ter mais controle do desempenho dos(as) funcionárias(os), bem como de quais são as necessidades reais de aprendizagem individual, e como essas necessidades podem ser sanadas a partir de uma melhoria nos programas de treinamento da universidade corporativa.

Por que investir em uma universidade corporativa?

Para entender a importância de investir em uma universidade corporativa, vale pensar um pouco sobre a realidade do cenário das empresas de tecnologia.

Por um lado, a evolução da internet e dos sistemas de informação permite que muita coisa seja automatizada e que a mão de obra humana seja substituída por máquinas. Até aqui, nada de novo. Entretanto, vale pensar qual é o papel que a mão de obra humana ocupa nesse mesmo cenário (e tende a ocupar cada vez mais): o papel de realizar tudo aquilo que exige a subjetividade humana e não pode ser feito por máquinas.

Ou seja, hoje, as colaboradoras e os colaboradores precisam não só do conhecimento técnico, mas também de habilidades como inovação, criatividade, gerenciamento de tarefas, trabalho em equipe, empatia, mapeamento de possibilidades de melhorias e acertos, relacionamento com clientes, experiência de usuários, entre muitos outros.

Entretanto, uma pesquisa realizada pela consultoria norte-americana McKinsey & Company mostra que essa não é lá muito a realidade das empresas. Dentre os gerentes entrevistados na pesquisa, 9 em cada 10 acredita que há escassez dessas habilidades entre os profissionais com quem trabalham, e 87% das empresas pensam não poder contar com tantos talentos que seriam necessários para alavancar seu negócio rumo ao futuro.

Com essas informações, é possível entender por que investir em treinar e capacitar colaboradores e colaboradoras. Porém, por que internalizar esses treinamentos? Por que investir em uma universidade corporativa da empresa, e não apenas em treinamentos avulsos? Veja abaixo!

  1. Diferencial em uma empresa

De acordo com a pesquisa Panorama dos Treinamentos no Brasil 2020/2021, as indústrias brasileiras investiram 24 horas anuais por colaborador em treinamentos e capacitações. Já as empresas de serviços e comércio registraram uma média de 10 a 16 horas.

Sem dúvida, esse indicador não mede a qualidade do treinamento, apenas a quantidade, mas ainda assim trata-se de um volume baixo – 1 a 2 dias apenas por ano.

A empresa que investe em uma universidade corporativa – isto é, faz com que a capacitação e a aprendizagem se tornem parte de seu DNA – consegue aumentar progressivamente essa quantidade, até que os dias investidos em formação de profissionais seja multiplicado em dezenas de vezes.

Esse é um diferencial que pode ser usado para reforçar a cultura interna da empresa, como sendo a empresa que aposta nos(as) trabalhadores(as), dentro e fora dela.

  1. Cultura organizacional de aprendizagem

Falamos disso ao longo do texto, mas vale explicar um pouco melhor o que significa a cultura organizacional.

Para o psicólogo Edgar H. Schein, autor da obra Cultura organizacional e liderança, a cultura organizacional é “um padrão de suposições básicas compartilhadas, que foi aprendido por um grupo à medida que solucionava seus problemas de adaptação externa e de integração interna”.

Em outras palavras, a cultura organizacional é a soma de todos os valores e aprendizados que são levados em conta para resolver problemas e criar soluções dentro de uma organização. É um dos elementos mais fortes que unem colaboradores e colaboradoras dentro da empresa, e que podem inclusive atrair potenciais clientes que se identifiquem com ela.

Assim, uma cultura organizacional que inclua a aprendizagem em seu cerne, como um dos valores, deve estimular que a resolução de problemas e a criação de soluções sempre levem em consideração o estímulo ao aprendizado, seja de profissionais, seja das gerências e diretorias.

A criação de uma universidade corporativa, nesse sentido, se torna natural, uma vez que acaba por centralizar esses estímulos e torná-los sistematizados em toda a empresa.

  1. Aumenta satisfação dos colaboradores

Uma vez construída a cultura organizacional de aprendizagem e um plano sistematizado de treinamentos, capacitações e estudos, a satisfação dos colaboradores e colaboradoras tende a crescer. Isso se explica pelo fato de que a empresa deixa de representar apenas o local de trabalho e passa a significar também o local de aprendizado, em que o(a) profissional vai se desenvolver individualmente e alcançar seus próprios objetivos.

Dá para dizer, em outras palavras, que a criação de uma universidade corporativa traz ganhos para todos os lados envolvidos: a empresa constitui uma imagem de inovação e, de quebra, investe diretamente na melhoria constante dos produtos e serviços vendidos; o(a) profissional recebe oportunidade de investir constantemente na própria capacitação e na melhoria de suas habilidades.

Vale lembrar que a cultura de aprendizagem promovida pela universidade corporativa necessariamente leva a uma mudança de paradigma: para aprender, temos que errar antes, e isso deve ser compreendido em todas as esferas dos treinamentos desenvolvidos nela. Com essa flexibilidade maior para poder experimentar, testar, errar e então acertar, colaboradores e colaboradoras tendem a se sentir ainda mais satisfeitos. E, com isso, as chances de reduzir índices de turnover aumentam. 

  1. Pautada na flexibilidade

Por fim, uma das características vantajosas da universidade corporativa é a flexibilidade. Seus cursos e treinamentos não precisam ocorrer presencialmente. Podem ser híbridos ou ocorrer totalmente a distância.

Além disso, a flexibilidade está relacionada também às individualidades de cada profissional que trabalha na empresa. Cada pessoa tem suas necessidades de aprendizagem e ambições como um todo, e é interessante que a universidade corporativa leve isso em conta, dando poder a cada colaboradora ou colaborador de escolher os caminhos que deseja seguir em sua própria capacitação. 

Como construir uma universidade corporativa?

Agora que já entendemos a importância e os objetivos de uma universidade corporativa, vale pensar um pouco mais sobre quais são os principais pontos a serem pensados antes de construir uma.

Avalie o investimento

Antes de qualquer coisa, o primeiro passo é avaliar a quantidade de investimento (financeiro e recursos em geral) que a empresa consegue e quer alocar para esse projeto.

Para isso, é necessário fazer o balanço da expectativa de retorno sobre o investimento esperada pela empresa. Quanto maior ela for, mais bem geridos os recursos devem ser. Vale refletir, também, sobre as análises de mercado feitas para verificar quais de fato são as necessidades de treinamento que a empresa deve atacar.

Outro ponto necessário que deve-se ter em mente na hora de avaliar os recursos a serem gastos é a plataforma (ou as plataformas) que serão utilizadas, preferencialmente, para a realização dos treinamentos. Os cursos e formações serão híbridos, presenciais, ou on-line? Que tipos de experiências de aprendizagem serão oferecidos? 

Defina objetivos e planeje o conteúdo

Uma vez avaliados os recursos e investimentos necessários para montar a universidade corporativa, é hora de pensar em seus objetivos e planejar os conteúdos oferecidos por ela.

Os objetivos da universidade corporativa devem estar diretamente alinhados ao plano de negócios da empresa, aos seus valores e à sua cultura organizacional. Para isso, vale fazer a pergunta: De que maneira a universidade corporativa pode auxiliar a empresa (a curto, médio ou longo prazo) a alcançar as metas propostas?

Com os objetivos em mente, passamos então à etapa de planejamento dos cursos e conteúdos:

  • Quais serão os cursos e treinamentos oferecidos?
  • Como eles serão ministrados?
  • Quais serão os facilitadores e facilitadoras?
  • Quais serão as trilhas de aprendizagem oferecidas?

Acredito que aqui dê para colocar algo sobre como a Gama apoia as empresas nesse processo

Avalie tecnicamente os conhecimentos ministrados

Após a criação dos cursos e a implementação efetiva da universidade corporativa, o próximo passo é avaliar tudo que foi feito até ali.

É necessário avaliar o processo, os conhecimentos ministrados (e sua qualidade técnica), quais foram os resultados a curto, médio e longo prazo, qual é a eficácia dos indicadores para medir o retorno sobre o investimento, como esses investimentos impactaram o trabalho da empresa e a interação com os clientes, entre outros.

A partir dessa avaliação, é possível somar erros e aprendizados para então melhorar periodicamente o processo.

Case de sucesso: Gama Academy e Itaú

Para entender as possibilidades que uma universidade corporativa traz, nada melhor do que acompanhar um exemplo real de sucesso, que trouxe impactos reais no cotidiano da empresa. Esse é o caso da parceria entre a Gama Academy e o Banco Itaú.

Entre 2020 e 2021, o projeto da universidade do Itaú desenvolvida pela Gama Academy treinou mais de 900 pessoas em um programa de desenvolvimento de software com duração de mais de 120 horas onde foi possível experimentar uma imersão ao vivo e prática da profissão.

A elaboração do treinamento levou em conta o trabalho metodológico e teórico em equilíbrio com as atividades práticas de aprofundamento, que garantiram a aprendizagem significativa das turmas. Ao fim de todo o processo, os colaboradores e colaboradoras tiveram a oportunidade de consolidar tudo que foi aprendido ao longo dos encontros em um Desafio Final: o desenvolvimento de uma aplicação prática em um case que foi avaliado por uma banca de especialistas.

Os impactos gerados pela universidade do Itaú foram inúmeros. Entre eles, o mais relevante foi a reciclagem dos(as) profissionais que participaram de todo o processo.

A grande maioria era composta por desenvolvedores e outros(as) profissionais de tecnologia que seriam desligados, uma vez que a recente modernização de recursos de armazenagem para nuvens do Itaú fez com que seus cargos se tornassem obsoletos. Com a universidade corporativa, esses profissionais foram realocados para outras áreas, o que garantiu a manutenção de seus empregos.

Além disso, outros profissionais que já estavam bem alocados em suas áreas passaram por um processo de aprendizagem relevante, que permitiu o aumento da qualidade de seu trabalho, a otimização de tempo e recursos e, a curto, médio e longo prazo, um impacto significativo na trajetória da empresa.

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