Gestão de crise: dicas para lidar com cenários de incertezas

Se você é gestor/a de uma startup, empresa de tecnologia ou de outras áreas de atuação, deve estar acostumado/a ao termo gestão de crise, não é mesmo?

Nós costumamos escutar um monte de clichês sobre o assunto, algo do tipo “crise em chinês quer dizer oportunidade” ou “mares calmos não produzem bons/boas marinheiros/as”.

Tudo pode ser muito divertido quando são outras pessoas que estão se desdobrando para manter o crescimento ou até mesmo para impedir a quebra de uma empresa. Mas quando a gestão de crise está na nossa realidade, o assunto fica mais delicado. 

Uma coisa é certa: não existe uma boa gestão de crise sem planejamento e comunicação. Empresas que trabalham de forma desorganizada, às escuras, são as mais abaladas pelos momentos turbulentos do mercado.

A crise existe por causa da falta de certeza: não saber se os/as clientes vão continuar comprando, se o fluxo de caixa estará dentro da margem, se os/as fornecedores/as vão aumentar os preços, se haverá uma nova legislação ou tributo para afetar o seu principal produto/serviço ou se algo inimaginável vai acontecer.

Tantas coisas podem ocorrer em momentos de crise, como baixa procura pelo serviço/produto, variação cambial que afeta sua produtividade, nova tecnologia que supera seu serviço, envelhecimento do seu modelo de negócio, entre outros fatores.

Algumas crises podem ser previstas por especialistas e é papel do/a gestor/a ficar ligado a elas, como o aumento da inflação e como isso afeta as vendas do seu produto/serviço.

Eventos catastróficos ou imprevisíveis não estão ao alcance dos/as analistas, embora a gestão de crise exista justamente para manter a operação da empresa durante os momentos de incerteza.

Gestão de crise: planejamento e previsibilidade 

É justamente na falta de previsibilidade que as análises e projeções se fazem ainda mais necessárias para organizar um planejamento em curto, médio ou longo prazo.

A gestão de crise utiliza uma série de dados obtidos a partir da observação do mercado para projetar todos os cenários possíveis e criar uma visibilidade financeira para a empresa se manter saudável, diante dos desafios que vai enfrentar.

Os/as gestores que estão guiando as empresas praticamente às cegas precisam de um direcionamento, feito com planejamento estratégico. Várias medidas podem ser tomadas em um cenário extremo para reposicionar uma startup no mercado digital com uma boa gestão de crise. Veja algumas:

  • Corte de custos;
  • Promoções especiais;
  • Novas parcerias;
  • Melhorar a produtividade;
  • Otimizar serviços;
  • Conquistar mais clientes;
  • Aumentar as vendas.

No fundo, a gestão de crise existe para reforçar o empenho de maneira estratégica, para passar por um momento de turbulência sem previsão concreta de como será o futuro próximo, já que ele não depende apenas do/a gestor/a, mas também de agentes externos capazes de afetar seu negócio. 

Sem planejamento estratégico para gestão de crise, os/as gestores tendem a tomadas de decisão de maneira impulsiva, muitas vezes equivocadas ou parecidas com aquelas que estão elaboradas para períodos estáveis.

Por exemplo: durante uma crise, cabe ao/a gestor/a insistir em vender mais do mesmo produto ou enxergar a possibilidade de apresentar uma inovação para o mercado e superar as expectativas?

A gestão de crise é uma forma de posicionar todos os cenários possíveis e avaliar quais são as melhores saídas para eles, de maneira organizada, com passo a passo, com foco em clientes, pessoas, finanças e oportunidades.

É colocando as metas em um cronograma de ação e usando as análises do mercado, mesmo sem previsões 100% assertivas, que os/as gestores vão encontrar um norte para superar os momentos difíceis e os desafios. 

Embora a gestão de crise seja elaborada por executivos/as e membros do time que possuem essas habilidades, não é sozinho que você vai redobrar a sua capacidade. As pessoas são mais essenciais do que nunca durante as dificuldades!

Gestão de crise: as empresas são formadas por pessoas 

É natural, e até esperado, que muitos/as gestores/as, principalmente das empresas mais tradicionais, lidem com gestão de crise e planejamento estratégico com gráficos, planilhas, análises e dados.

Nas empresas digitais, é mais comum ver os/as líderes se aproximarem do time para buscar o engajamento das pessoas para aumentar o esforço, o foco e o empenho em momentos de incerteza.

Se o mercado apresenta instabilidade e a empresa da qual você é gestor/a está em um momento de incertezas, já pensou como estão os/as colaboradores/as? Preocupados/as, aflitos/as, inseguros/as ou desconcentrados/as?

Em muitos casos, é comum aumentar o número de fofocas e boatos que prejudicam o engajamento e a confiança no planejamento estratégico para gestão de crise. Por isso, dois fatores são fundamentais para lidar com as pessoas neste cenário: liderança para engajamento e estratégia de comunicação.

A liderança tem o papel de aproximar os/as colaboradores/as para gerar engajamento, saber como está o sentimento dos/as que estão trabalhando na empresa neste momento e mostrar que juntos/as, todos/as são capazes de superar as dificuldades.

Para amenizar os efeitos da crise e as desconfianças e incertezas que elas trazem, a gestão de crise deve ter um sistema de informação com muita transparência.

Por isso, crie um fluxo de informações com os/as funcionários/as para neutralizar fofocas e boatos com base nas metas alcançadas, nos próximos objetivos e informações que tranquilizem, principalmente sobre salários, cortes e outros assuntos mais pertinentes para os/as funcionários/as.

5 formas práticas de aplicar a gestão de crise

Até aqui, exploramos bem o que é gestão de crise e apresentamos alguns exemplos de como o/a gestor/a pode agir para encontrar uma luz no fim do túnel quando o mercado está instável e a sua empresa passa por situações delicadas. Agora, vamos partir para as dicas práticas! 

1 – Aposte sempre em uma liderança proativa

Vamos reforçar este ponto da gestão de crise, pois são as pessoas que vão movimentar toda a estrutura da empresa digital ou startup durante a instabilidade.

Manter as pessoas saudáveis mentalmente e fisicamente é essencial, e um/uma líder experiente e capaz de mobilizar o time vai ser indispensável durante o período de tormenta.

O/a líder é capaz de obter o espírito de unidade dos/as colaboradores/as, com todos/as atuando pelo mesmo objetivo, de maneira mais produtiva e eficiente. A transparência no contato com as pessoas é fundamental para não criar falsas expectativas. A liderança precisa se envolver com a equipe e criar uma sintonia diferente, bem mais próxima. Isso pode ser reforçado com a realização de reuniões produtivas

2 – Cuide dos/as clientes com mais atenção

Muitas vezes, a crise é estrutural e atinge diversas empresas e setores produtivos. Por isso, se o/a seu/sua cliente está no mesmo mercado que o seu, certamente, ele/a também está implantando um programa de gestão de crise.

Para estreitar os laços com o/a cliente, aposte em um relacionamento mais próximo e voltado para a busca de soluções em conjunto. É desse tipo de apoio que as empresas precisam de seus/suas fornecedores/as, por exemplo.

3 – Preveja a turbulência para manter a saúde financeira

Para manter as finanças em ordem, seu programa de gestão de crise precisa projetar os piores cenários possíveis e as saídas mais viáveis para eles. Mesmo assim, em um cenário de incertezas é recomendado tomar algumas medidas de controle.

Entre as mais comuns estão: congelar contratações, não oferecer aumento de salário, reduzir todos os gastos possíveis e dispensar os/as funcionários/as mais improdutivos/as, em último caso. Se isso for necessário, use a avaliação de desempenho para saber quanto cada colaborador/a vem rendendo. 

4 – Crises são realmente boas para oportunidades

As crises têm um impacto imenso na realidade das empresas e, muitas delas, percebem que estavam acomodadas até uma reviravolta acontecer.

Então, a gestão de crise precisa ter um espaço para a reflexão de padrões, produtos, processos, tecnologias e, principalmente, público e suas expectativas como clientes.

Por isso, através de perguntas válidas e respostas embasadas em dados, tente encontrar uma saída inovadora e uma oportunidade para se destacar no mercado. Veja se os/as clientes estão mudando de hábito, capacidade de investimento, se estão interessados/as em outros produtos e serviços, se mudaram de faixa etária.

Faça um verdadeiro raio-X da sua empresa e chame seus melhores talentos para ajudarem a encontrar uma grande oportunidade, sempre com os pés no chão, com soluções embasadas e nada mirabolante ou impossível de fazer.

5 – Implemente tecnologia para melhorar processos

Muitas empresas entram em crise porque não souberam se reapresentar em um mercado que se torna cada vez mais tecnológico e digital. 

Se seus concorrentes utilizam computadores e softwares enquanto você está fazendo atividades com equipamentos ultrapassados e de forma manual, sua equação não terá a solução esperada.

A gestão de crise pode ter ações específicas para atualizar a empresa aos novos modelos de negócios, como fazer um site responsivo, um e-commerce ou até a contratação de um software de gestão mais completo.

Além disso, se for possível, aproveite para treinar seu time para agir no mercado digital e usar as ferramentas mais adequadas, fortalecendo sua infraestrutura de tecnologia. Sua empresa pode apostar, entre outras coisas, em Big Data, Backup na Nuvem, Inteligência Artificial, Aplicativos de Comunicação e Videoconferência e Infra de Segurança e Conexão. 

Todas essas tecnologias vão facilitar o trabalho, além de ajudarem a gerir melhor os times que estejam em home office. (Saiba mais aqui!)

Outras medidas de gestão de crise

Existem outras ações de gestão de crise que podem ser mencionadas e executadas conforme o cenário de cada empresa. Por isso, é recomendado fazer uma análise exclusiva e personalizada, já que cada caso é único.

Plano de Contingência: durante as crises, sua empresa precisa identificar o principal problema, saber a dimensão dos problemas e informar aos/as afetados/as, se houver, quais serão as medidas de reparação e o prazo para solução.

Mapa de Vulnerabilidade: é recomendado fazer um levantamento de todos os pontos críticos da empresa, se possível em cada departamento separadamente, para identificar como eles contribuem para piorar a crise ou melhorar as ações positivas da gestão de crise.

Comitê para Gestão de Crise: o comitê para gestão de crise costuma reunir as lideranças e profissionais de cada área para executar o programa de ações. O time vai contar com CEO, gestores/as, desenvolvedores/as, marketing digital, vendas, designers, Recursos Humanos e pessoas de outros setores considerados chave para o sucesso da empresa. 

Por fim, tenha sempre em mente que toda empresa bem-sucedida precisa estruturar seu planejamento com base em projeções e análises de mercado bem executadas, pois elas trazem diferentes níveis de previsibilidade financeira. 

Além disso, saiba que o maior ativo de uma empresa é sempre seu recurso humano. Por isso, em tempos de crise, tenha os/as colaboradores/as como peça-chave para que a empresa consiga prosperar. 

Analise o envolvimento geral e o entendimento dos/as colaboradores/as em relação ao cenário, saiba como estão se sentindo e coloque em prática o fator família, trabalhando com transparência e acolhimento com o seu time. 

Em momentos de muitas dúvidas e imprecisões, adote uma liderança assertiva e estratégica, com uma comunicação forte e um fluxo intenso e regular de informações e esclarecimentos para a equipe. Isso vai ajudar a empresa a superar a crise mais rapidamente e também vai contribuir para a sua retenção de talentos

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