Comunicação assertiva e não-violenta

“As formigas moldam a conduta umas das outras mediante a troca de substâncias químicas. Nós fazemos o mesmo ao ficar diante de outras pessoas, encará-las, gesticular e emitir sons estranhos. A comunicação humana é uma verdadeira maravilha. Inconscientemente, nós a praticamos todos os dias.”

Chris Anderson – CEO do TED

Já é senso comum que a comunicação é uma das competências mais exigidas atualmente no mercado de trabalho (e na vida), estando sempre presente na lista das habilidades comportamentais que continuarão sendo importantes agora e no futuro.

Se você pretende atuar no mercado digital, especialmente em startups e empresas de tecnologia, sua capacidade de comunicação será decisiva.

Se pensarmos na causa raiz para que algo aparentemente tão simples (se comunicar) seja hoje uma grande dificuldade, conseguimos elencar algumas hipóteses, como o fato de que esse tema não é pautado com muita ênfase durante o período escolar. 

Ou de que vivemos em um momento cada vez mais acelerado e polarizado.   

Sentindo essa dor, profissionais que entendem a importância dessa soft skill buscam aprimorar a sua comunicação assertiva, aquela que evita ruídos e facilita a compreensão entre emissor/a e receptor/a da mensagem.

Essa assertividade significa saber o quê, quando e como dizer algo, evitando, assim, conflitos desnecessários, permitindo relações construtivas, favorecendo a autoconfiança e diminuindo o estresse e a frustração na comunicação. 

É uma maneira de falar que não ofende ninguém, que cria laços ao invés de destruir a harmonia entre as pessoas.

Nesse contexto, há um conceito bastante utilizado em mediações de conflitos que vem sendo difundido para diversos outros contextos: a comunicação não violenta.

A comunicação assertiva também é uma das habilidades exigidas pelas empresas do mercado digital e precisa ser uma prioridade para os/as profissionais que atuam em todas as áreas de atuação

Por incrível que pareça, a comunicação pode ser mágica para informar, engajar e conquistar, porém, também tem a capacidade de ferir, ofender e criar muitos problemas.

O que é comunicação assertiva?

A comunicação assertiva é uma maneira de falar, gesticular e se expressar com o objetivo de passar uma mensagem clara, com segurança e firmeza. Significa que você pode passar muita confiança e certeza das suas convicções de forma límpida, sem atacar ninguém.

Não basta saber o que é comunicação assertiva para sua mensagem ficar perfeita, a dificuldade está em saber encontrar o meio termo entre a agressividade e a passividade. 

Podemos dizer que ser assertivo é encontrar o ponto de equilíbrio entre estes dois extremos. 

A comunicação passiva, de forma bem simplificada, é aquela que não fala o que precisa ser dito, que concorda com todos/as mesmo querendo contrariar. Em resumo, é falar sim ao invés de não!

Veja algumas sentenças que ajudam a entender bem onde está o equilíbrio da comunicação assertiva, o ponto exato entre agressividade e passividade:

  • A comunicação assertiva é firme, mas não é autoritária;
  • Ela passa respeito, e não medo;
  • A comunicação indica um erro sem ironia ou hostilidade;
  • Ela chama a atenção sem criar mágoas ou ressentimentos;
  • Você se comunica e se impõe sem levantar o tom de voz;
  • Seguro/a e relaxado/a, você passa uma mensagem que todos/as vão assimilar;
  • Sua posição fica clara e transparente, sem gerar dúvidas ou duplo sentido.

Um/a bom/boa comunicador/a tem a habilidade de mostrar decisão ao pronunciar suas palavras. Além disso, é capaz de dar feedbacks de forma mais assertiva, humana e eficaz. 

Saiba como ter uma comunicação assertiva e veja exemplos

Como todas as soft skills são desenvolvidas, podemos garantir que ninguém nasce sabendo como realizar uma comunicação assertiva, essa habilidade é construída ao longo da vida profissional através de duas maneiras: teoria e prática.

A teoria você está recebendo agora, neste nosso material. A prática vai depender das atitudes, intenções, treinamentos, reflexões e mudança de postura quando for formular um diálogo e escolher as palavras que serão usadas.

Em suma, a comunicação assertiva é construída degrau por degrau, e você pode ser honesto/a sem ofensas ou ataques, fortalecendo sua personalidade e mostrando que você é adulto/a, profissional e uma pessoa equilibrada.

Existem algumas maneiras de realizar a comunicação assertiva que funcionam muito bem. Veja:

Emoção

As palavras da sua comunicação devem ser selecionadas conforme a emoção que você pretende atingir, com foco na intenção do seu discurso. Por isso, seja honesto/a, incisivo/a e confiante com palavras e sentenças que não ataquem seu/sua interlocutor/a e não faça ele/a se sentir pessoalmente diminuído/a, humilhado/a, irritado/a ou provocado/a. 

Tome este cuidado quando estiver escrevendo um e-mail para um/a colega de trabalho ou conversando com alguém do seu time. Não provoque emoções desnecessárias nos/as outros/as!

Inteligência emocional

O autocontrole das emoções é muito importante para uma comunicação assertiva. 

Logo, antes de se pronunciar, perceba se você está com raiva, ressentimento, eufórico/a, nervoso/a, irritado/a, fora de si. 

Procure se manifestar somente em momentos de equilíbrio, sem que suas emoções ou até mesmo as emoções despertadas no/a interlocutor/a não sabotem a mensagem. Fale calmamente, passe segurança e tranquilidade. Jamais se comunique “no calor do momento”!

Seja um exemplo

Principalmente em uma startup ou empresa do mercado digital, seu discurso deve ser compatível com suas ações, pois isso também faz parte da eficiência da comunicação

Não basta falar, tem que fazer também. 

Se você, de maneira assertiva, exige que seu time seja pontual na entrega de um trabalho, é essencial que não esteja atrasado/a e que seja comprometido/a com o cronograma.

Respeito pelo próximo

Na comunicação assertiva, o/a interlocutor/a deve se sentir respeitado/a, por isso você não pode de forma alguma realizar um discurso que tende ao machismo, racismo ou algum tipo de preconceito.

Suas palavras devem motivar

A comunicação assertiva, principalmente nas startups e empresas de tecnologia, deve ser usada para motivar as pessoas se sentirem empenhadas e engajadas. 

A sua conversa não pode colocar o time “para baixo”, ela deve inspirar novas ações e posturas. Sendo assim, as pessoas devem gostar de conversar com você. Precisa ser algo agradável, mesmo que você seja duro/a em suas posições!

Preste atenção nos seus gestos

A comunicação assertiva não é realizada apenas com palavras. São gestos, posturas e expressões faciais que dão vida ao discurso. Este tema é tão importante, que separamos um espaço específico para a comunicação não verbal, especialmente para a linguagem corporal.

Dicas gerais para adotar uma comunicação assertiva:

  • Aprenda a falar e ouvir;
  • Entenda o outro lado também;
  • Meça as suas palavras;
  • Use uma tonalidade de voz que não seja agressiva;
  • Escolha o momento correto para falar;
  • Faça a intermediação entre colegas que estão se desentendendo.

Linguagem corporal também é comunicação

Quais são seus gestos quando você se comunica? E sua expressão facial? E a tonalidade da sua voz? 

Vários/as especialistas garantem que a linguagem corporal corresponde a grande parte da nossa comunicação.

Sua voz pode ser sutil e carinhosa, enquanto sua cara é de raiva e seus gestos de quem está prestes a realizar um ataque!

Mentira? Provavelmente você já viu alguém assim, que não grita com a equipe, mas fica com o rosto tão vermelho de irritado/a que passa medo e está bem longe de ser assertivo/a.

Levantar a voz, gesticular de maneira descontrolada, utilizar expressões faciais de raiva e ironia, todos estes comportamentos corporais – que podem estar desconectados com o teor da fala – precisam corresponder ao objetivo de uma comunicação assertiva.

Está na dúvida de como você se coloca durante uma mensagem? Grave você mesmo enquanto você fala com alguém, ou ensaie diante de uma câmera um discurso no qual você explica algo a um/a colega ou chama a atenção de um membro da equipe.

No vídeo, você parece nervoso/a ou descontrolado/a?

Veja se você assusta ou passa confiança. Veja o resultado e comece a propor modificações para ajustar sua forma de se manifestar.

E, por último, se você tem alguma pessoa de confiança e que tenha noção de comunicação assertiva, ela pode te dar alguns retornos sobre como você se “transforma” quando está se comunicando, se seus gestos são exagerados demais e como seu discurso é recebido por aqueles/as que te escutam.

Veja um exemplo prático de comunicação assertiva:

  • Perguntas que exigem resposta simples, como sim ou não, não devem ter respostas longas, confusas e prolixas;

No sentido de compreender melhor todos os meandros da comunicação eficiente, vamos abordar outro conceito importantíssimo sobre a arte de emitir uma mensagem: a comunicação não violenta, que mostra exatamente o contraponto entre assertividade e agressividade.

Comunicação não violenta (CNV)

Marshall B. Rosenberg, um dos maiores pesquisadores do tema, explica que a CNV se baseia em habilidades de linguagem e comunicação que fortalecem a capacidade de continuarmos humanos, mesmo em condições adversas.

Ela não tem nada de novo: tudo que foi integrado à CNV já era conhecido havia séculos. O objetivo é nos lembrar do que já sabemos – de como nós, humanos, deveríamos nos relacionar uns/umas com os/as outros/as.

A CNV nos ajuda a reformular a maneira pela qual nos expressamos e ouvimos os/as outros/as. Nossas palavras, em vez de serem reações repetitivas e automáticas, tornam-se respostas conscientes, firmemente baseadas na consciência do que estamos percebendo, sentindo e desejando.

Somos levados a nos expressar com honestidade e clareza, ao mesmo tempo em que damos aos outros uma atenção respeitosa e empática. 

Em toda troca, acabamos escutando nossas necessidades mais profundas e as dos/as outros/as. A CNV nos ensina a observarmos cuidadosamente (e sermos capazes de identificar) os comportamentos e as condições que estão nos afetando.

Aprendemos a identificar e a articular claramente o que de fato desejamos em determinada situação. A forma é simples, mas profundamente transformadora.

A essência da CNV está na consciência dos seus quatro componentes, em expressar-se honestamente e receber com empatia por meio deles, muito mais do que nas palavras que efetivamente são trocadas.

Esses componentes são:

  • Observação – As ações concretas que estamos observando e que afetam nosso bem-estar;
  • Sentimento – Como nos sentimos em relação ao que estamos observando;
  • Necessidades – As necessidades, valores, desejos etc. que estão gerando nossos sentimentos;
  • Pedido – As ações concretas que pedimos para enriquecer nossa vida.

Fazer este exercício diariamente será um processo educativo e muito prazeroso. A cada troca, lembre-se dos princípios da CNV e de como ela pode te ajudar a atingir seus objetivos.

Ainda sobre comunicação assertiva, existem algumas dicas valiosas para você praticar e desenvolver o melhor de si nessa competência.

O livro A Arte da Aprendizagem Autodirigida, de Blake Boles, e traduzido por Alex Bretas, apresenta dois acrônimos superinteressantes para essa temática:

O primeiro acrônimo é o PASMO. Ele resume uma série de cinco coisas a se fazer se você quer que alguém tenha uma primeira impressão positiva a seu respeito.

Por que a primeira impressão é importante? Isso não quer dizer que sejamos superficiais — somos apenas práticos/as.

P – Significa Postura: cabeça erguida, braços do lado do tronco. Respiração profunda.

A – Significa Amplificar: precisamos falar um pouco mais alto do que o que normalmente achamos ser necessário para sermos escutados. Falar num tom muito baixo e calmo o tempo todo é estranho. Mas claro, também não precisa gritar, né?

S – Tem a ver com Sorrir: nossos rostos não sorriem naturalmente. Quando você conhecer alguém, lembre-se de sorrir não só com a boca, mas também com os olhos (deixe os pés de galinha fazerem seu trabalho).

M – Significa Mãos: quando as pessoas estão nervosas, suas mãos as denunciam ficando toda hora em contato com a roupa, debruçadas sobre algum objeto ou escondidas nos bolsos ou nas axilas. Libere suas mãos e simplesmente as deixe em sua posição natural.

O – A letra inicial de Olho no Olho: mantenha contato visual com alguém durante três a cinco segundos de cada vez, e se você está falando para um grupo, olhe um pouco para todos/as de maneira uniforme ao invés de se direcionar apenas a uma pessoa.

A segunda ferramenta é o EPAE: quatro dicas para quem quer criar boas conversas. Assim é que você sustenta uma interação para além da primeira impressão.

E – Significa Escuta Reflexiva: um tipo de escuta que costuma ser utilizado por terapeutas. Por meio da escuta reflexiva, você demonstra ao/a seu/sua interlocutor/a que você está realmente prestando atenção no que ele/a diz, ao contrário de apenas fingir que está escutando.

P – É igual a Perguntas Abertas: utilizar somente a escuta reflexiva não te leva muito longe numa conversa. Para manter pessoas conversando (ou apontar uma nova direção para a conversa), faça uma pergunta aberta, isto é, que possibilite várias respostas.

A – Significa Afirmações Pessoais: até agora, nossas táticas de conversa miraram apenas na outra pessoa. Mas falar o que você pensa e acredita também é importante.

E – Tem a ver com Experiências: um lembrete de que as melhores conversas terminam com experiências concretas — isto é, fazer coisas — ao invés de apenas falar sobre elas. Se você gosta da pessoa com quem está conversando, não tenha medo de realmente fazer algo com ela ao invés de ficar só falando pra sempre.

Todas as dicas fazem muito sentido, não é mesmo? E a autoconsciência no ato da fala é muito importante para que esse processo seja bem-sucedido.

Lembre-se: você é o que você fala e a sua mensagem pode ser uma parede ou uma porta para alguém. 

Que nesse percurso de caminhar por entre as palavras você consiga dar um passo de cada vez, alcançar trocas cada vez mais eficazes e conexões de fato verdadeiras.

Dicas de TED’s de comunicação

Quer melhorar sua capacidade de comunicação? Então, aproveita para conferir esses TED´s incríveis que separamos para você. Todos falam de comunicação e apontam formas para que você consiga se comunicar melhor. 

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